Dark Glass

Apenas observe mais de perto.


Casais, em seu clima apaixonado, são uma das coisas mais bonitas de se ver: nas fotos, nas canções, nas declarações públicas, nos livros, nos filmes. Isso é inegável.
Mas será que até mesmo para isso existe um limite?
Você já deve ter ouvido frases que queriam expressar, em resumo, que um amor não te complementa e sim, adiciona, te "transborda". Apesar de serem frases clichês, acredito piamente na verdade disso, pois acho que "só ser feliz se alguém estiver com você" é um problema que precisa ser trabalhado e que só é bonito nos filmes de romance com seus finais felizes.
Viver a dois é uma etapa que deve vir depois de "viver a um", de conseguir seguir normalmente sem namorado(a) ou marido (esposa), de ter seus sentimentos pelo outros, mas antes disso, conseguir visualizar claramente seu sentimento por si mesmo. Estar em um relacionamento e não ser dependente dele é a melhor forma de respeitar a si mesmo em sua individualidade e ao outro, em seu espaço.
É por isso que, se alguém me disser que não consegue viver sem mim, que antes de mim nada fazia sentido, eu acreditaria que: ou isso é mentira ou um grande exagero de alguém que espera muito pouco de si mesmo, que se vê como pouco importante. Por isso, normalmente, pessoas que entram em um relacionamento para depender de alguém, e não para gostar/amar, permanecem mais tempo com outros igualmente dependentes ou com alguém que vê nessa dependência uma oportunidade.
O primeiro caso, os casais mutuamente dependentes, ou como eles acreditam ser, são aqueles que eu particularmente não suporto ficar próxima. Na verdade, muito gente se incomoda. Quando eles estão juntos, falando em códigos e mantendo um contato físico interrupto, eles esquecem completamente de quem está em volta, e isso não é romântico para as outras pessoas que TAMBÉM estão com eles e que também gostariam de ter a companhia de ambos, sejam eles os amigos ou a família (que podem se sentir deixados de lado).
Eles tem a senha do facebook um do outro, e não se pode ter segredos ou qualquer assunto particular com seu amigo a não ser que você não se importe que a namorada dele saiba. Se você chamá-lo para sair, inclua a namorada dele. Em uma conversa, o nome dela será citado mesmo em assuntos de universo completamente diferente do dela. Enfim, pessoas assim, que mesmo que não admitam, se veem tão pequenos quando sozinhos e que "precisam" de alguém para aumentar um pouco a importância de serem eles mesmos, entram em relações pouco saudáveis de dedicação exagerada a uma só coisa e se tornam companhias desagradáveis. Ninguém pode ser só namorado(a), só religioso(a), só médico(a), só advogado(a), só mãe ou pai, só filho.. todo mundo tem seus diferentes papeis e todos tem sua importância. Estando você como namorado(a) ou não, existem todas as outras coisas que você é e que fazem parte de você. Isso tudo não pode mudar completamente por uma coisa a mais que você se tornou, por mais amor que exista, você ainda é um e não uma metade que precisa de complemento.
Tudo bem, muito namoros começam assim, com ambos querendo contato incansavelmente, o tempo todo. E quando o namoro dura mais tempo, isso, normalmente, muda. Não porque o casal se distanciou, mas porque as coisas tendem ao equilíbrio entre a individualidade de ambos e sua relação amorosa. O namoro vai se tornando mais equilibrado e mais maduro.
É bom ressaltar, que ter individualidade não corresponde a ser sozinho, egoísta ou não estar disposto a dividir sentimentos e momentos com alguém. É, basicamente, ter tempo para você e ter tempo para todos.
No segundo caso, onde uma pessoa "incompleta" procura "sua outra metade" em alguém que não vê o relacionamento dessa forma, enfim, não se sente dependente, uma das poucas coisas que pode fazê-lo durar é se um deles se aproveitar da situação do companheiro, incondicionalmente apaixonado, para benefício próprio. Podem ser muitos benefícios: não precisar ceder em nada, sempre "ter razão', poder ser perdoado facilmente pelos piores erros, ter alguém a disposição o tempo todo.. E não acredito que um relacionamento assim dure para sempre, mas não porque o lado apaixonado da história de canse dessa situação evidentemente desfavorável a ele, pois estar com o amado é o que está acima de tudo. Por mais estranho que isso seja, é mais comum que aquele que detêm tantos benefícios às custas do sentimento do outro caia fora, pois a verdade é que ninguém valoriza alguém que está PARA o namorado e não com o namorado. Olhando de longe, pode-se ter pena do pobre apaixonado que crê no amor, mas de perto, ninguém deseja uma pessoa assim para si. A diferença está unicamente em se aproveitar ou não de alguém que se mostra submisso a você.
Percebo que ambas as situações desagradáveis surgem de pessoas que não acreditam em si mesmas sozinhas, sem ter de quem depender. Quando um relacionamento vai além do querer estar, para o precisar estar e para isso ter que esquecer de tudo o que não for amor (como namorados) ou aceitar qualquer situação em nome de uma relação que só um se esforça para manter algo entre dois, tem algo errado que precisa ser mudado.
Você não está pronto para ser um? Acredite, muito menos para ser dois.

"ME CHAMAR DE SUMIDO É FÁCIL. Quero ver vir me visitar aqui em casa"

Olá, esta é minha primeira postagem em 2012.
Muitas pessoas devem ter feito suas promessas para este novo ano, esperando que o ano favoreça o cumprimento delas como se 2012 tivesse vida própria. Sobre o fato de que tudo só depende de nós mesmo e etc. eu já falei em um post passado cujo título é "Feliz Recomeço.", que fiz no início de 2011. Pergunto-me se vocês cumpriram pelo menos metade das promessas do ano passado...sei que não.
Por isso, "promessas" é um peso que não carrego mais nos fins de ano. E falando em peso, iniciei o ano me livrando de muitas coisas inúteis começando pelo meu quarto para ceder o lugar às coisas novas que vou comprar para decorá-lo. Resolvi também desocupar o espaço, que na verdade já estava vazio, das pessoas que sempre prometem me ligar algum dia ou me chamar para sair para um lugar especial, quando na verdade eu poderia ir a um lugar qualquer só para matar a saudade da amizade perdida ou nunca tida com aquela pessoa. Poderia ser um tempo na casa dela ou ir a uma sorveteria logo ali na esquina, mas talvez isso já fosse o suficiente para fazer vir à tona algum tipo de afetividade. Pode parecer carência da minha parte, ou que eu sou muito solitária, mas não é verdade. Por mais que tenhamos vários amigos, sempre existem aqueles que se distanciam de repente e nos fazem falta.
Quando eu reencontro esses "amigos", realmente parece que eles se divertem ao meu lado e que vão dar notícias em breve, mas nunca passa de um "depois vamos marcar de sair..".
Eles sabem onde eu moro, o número do meu telefone, estão entre os contatos do meu facebook: teoricamente a comunicação não é um problema. Porém, ainda assim, eu estou "sumida", resolvi desaparecer. É estranho não sentir nem um pouco de remorso nomeando assim alguém que sempre tentou se aproximar de você, puxando conversa ou tentando encontrar algum lugar de interesse a ambos para sair, enquanto você inventa as mais estúpidas desculpas para não estar presente nem mesmo no aniversário (que é uma única vez no ano). Os meus "amigos" também estão sempre tão sem tempo, mergulhados em estudo e trabalho..e saindo com os aqueles com quem eles realmente desejam estar (redes sociais são fortes fontes de acusação).
Os "amigos" são os de mais diferentes tipos:
  • Aqueles que não te chamam mais para sair porque os gostos se tornaram muito opostos.
    Se houver um real interesse, sempre se pode encontrar algum lugar atrativo a duas pessoas de opiniões muito diferentes, mas quando não se está tão interessado assim, qualquer motivo a mais pode se tornar um fator de distanciamento e anulação de qualquer possibilidade.
  • Aqueles que sempre perdem o seu número.
    Não quero imaginar o que aconteceria se eu mudasse meu número muitas vezes, na lógica dessa pessoa, eu perderia contato até com a minha família.
  • Aqueles que, depois de receberem sua visita, te chamam para sair mais uma única vez e só.
  • Aqueles que não fizeram o mínimo esforço para manter a amizade, te deixando muitas vezes de lado e não retribuindo nem metade daquilo que você faz por eles. Então, quando você finalmente decide deixar de fazer papel de bobo, eles te culpam por vocês terem se tornado apenas conhecidos.
    Às vezes esses "amigos" são tão convincentes, que devemos manter vivas as lembranças que apontam o real culpado, para não acabar se deixando levar em uma história mal contada.
  • Aqueles que "morrem de saudade de você", mas não te visitam (mesmo que passem perto da sua casa muitas vezes) e não te mandam mensagem no celular nem no seu aniversário ( que, na verdade, eles nem sabem quando é).
    É para isso (também) que existem as gloriosas redes sociais: para todas as pessoas que fingem se importar com o dia do seu aniversário, sem precisar gastar uns R$ 0,30 e nem usar a memória para lembrar da data já que há um lembrete que poupa o trabalho de anotar na agenda uma coisa tão pouco importante.
Existem muitos outros tipos deles, mas um fator comum é que a tentativa de se aproximar (quase) sempre parte de você, e chega a um ponto, mais cedo ou mais tarde, que isso não vale a pena. A amizade simplesmente já foi ou não será, mas existem muitas outras que poderão ser ou serão, enquanto a gente pode estar perdendo tempo com aqueles que não se importam e tocando neste assunto tendo uma visão otimista demais de que "dessa vez vai ser diferente". Então, para separar o otimismo de uma ilusão, decidi aceitar que é hora de descartar esses "amigos" tal qual fiz com os papéis velhos que só estavam ocupando espaço no fundo da gaveta para dar lugar aos novos e úteis. Além disso, morder a língua quando me chamam de "sumida" é só uma forma de contribuir para que essa brincadeira de "culpar o idiota que queria ser seu amigo" continue.
As portas continuarão abertas para que eles venham até mim, mas somente isso, pois por elas eu não passarei mais. Isso não é o peso de uma promessa, pelo contrário, é um espaço definitivamente desocupado. Não vazio (que me remente a um sentimento triste), desocupado, o que supõe um estado temporário que será preenchido a qualquer momento.


Não estou muito confortável em falar sobre isso, porque será um coisa um pouco senso comum, mas o meu objetivo não é fazer definições e sim, expressar minhas observações sobre o efeito da moda do Geek e do Nerd sobre as pessoas.
A verdade é que poucas pessoas sabem exatamente o que é ser Nerd ou Geek e o estranho não é eu estar aqui escrevendo um texto sobre isso sem ter pesquisado sobre o assunto, o estranho é as pessoas se definirem como Geeks e Nerds sem saber ao certo do que se trata. Isso porque ser Nerd ou Geek se tornou cool, mas muito mais pela moda do que pela personalidade.
Pelo que eu entendi, Nerd é uma conotação negativa, depreciativa, para se referir ao indivíduo que dedica sua vida ao estudo, passando a ser muito mais inteligente do que as pessoas de sua idade e acabam se isolando dos demais, ou por preconceito ou por escolha própria. Mas um certo dia, alguém resolveu "já sei, vamos reformular o nerd e torná-lo cool, com roupas descoladas, e o nerd não será necessariamente aquele sabe-tudo que ninguém gosta, e sim aquele que tem um diferencial, sendo uma forma positiva"...E de repente todos compraram essa ideia: meninas vestindo blusas "I love Nerds" e meninos querendo se definir a todo custo como Nerds. Na verdade, todos só querem se rotular como "pessoas diferentes das demais" se tornando iguais entre si. Certamente grande parte dessas meninas odiariam namorar com um cara que não se importa com o que veste e com as marcas de espinhas na cara (porque isso sim é um verdadeiro Nerd), e grande parte dos meus conhecidos/amigos que se dizem Nerds ficam felizes quando tiram 7,0 em um teste, mas que têm que ficar constantemente (e orgulhosamente) dizendo "ah, você não entende, isso é coisa de Nerd" ¬¬
Enquanto ao Geek, não sei você, mas quando penso em Geek, me parece mais um estilo de se vestir do que um modo de ser. Mas na realidade, o Geek não seria um modo depreciativo como o termo "Nerd", seria, basicamente, o indivíduo extremamente ligado à tecnologia (embora este o "geek" já tenha tido contornos negativos) e ao novo. No entanto, no geral, as pessoas entendem esse termo como alguém que usa óculos grandes e roupas estilosas e então, ser Geek virou um objeto à venda nas lojas de roupas e uma versão de mais status do Nerd, quando na verdade é um modo de ser. Conheço muitas pessoas que AMAM tecnologia (ao ponto de serem meio loucas) que não se vestem nem parecido com aquilo, deixando bem claro que gostar de tecnologia no sentido Geek é muito mais que passar horas no Facebook e Twitter.
Então, eu chamaria este "estilo Nerd ou Geek" como uma tentativa, aparentemente frustrada, de buscar sua identidade e diferencial, a busca de pertencer à algo para se sentir melhor consigo mesmo. Tanto é que, normalmente, esse modo de se vestir ocorre em adolescentes ou em pessoas de 30 anos que queriam ter 20 (todos, "coincidentemente" se tornaram Nerds e Geeks). Não entendo esse esforço em parecer diferente ou estranho, sendo o oposto de uns e sendo iguais a tantos outros, quando na verdade, essas pessoas só buscam aceitação e admiração, enquanto dizem "eu não me importo com o que todos pensam". Não se sintam mal por isso, todos querem aceitação, admiração e se importam, uns mais e outros menos, com o que os outros pensam. Mas imitar esteriótipos para atrair olhares não é a melhor forma de ser você mesmo. Sua essência não está em modelos de ser ou vestir, em Geeks, Nerds, roqueiros ou qualquer outro estilo sobre o qual se possa encontrar definições na Wikipédia. Você pode ser um pouco de tudo e você DEVE ser muito de si mesmo.

Certas coisas do nosso dia a dia se tornam tão comuns que acabamos nos habituando, e nossa listinha nomeada de "isso é assim mesmo" se torna cada vez maior, o que só ilustra, novamente, nosso conformismo, ou em outras palavras, nossa revolta preguiçosa.

Você estaciona em local público (e por público entende-se aquilo que é comum a todos) e alguém te exige que se pague uma quantia abusiva para "olhar" o seu carro. O fato é que, recusar não é a opção, porque na verdade, você pagará para que ele não danifique o seu carro. Ou seja, diferentemente do que ele diz, não pagamos para que ele observe se uma terceira pessoa irá roubar, riscar e afins. Pagaremos para proteger o carro dele próprio.

O flanelinha sabe que você sabe disso e você sabe que ele sabe que você sabe disso. Por "olhar o seu carro", termo que inicialmente designava literalmente "olhar o seu carro", na verdade significa "não riscar o seu carro". Por favor, adicionem isso ao dicionário para os desinformados ou àqueles que vieram de um lugar cuja "filha da putagem" não seja assim tão constante e evidente. Um aspecto que demonstra isso é o fato de que ele já estabelece um preço do mesmo modo que ocorre quando estacionamos em local privado, você utilizou o espaço, então vai ter que pagar pelo que na verdade é público. Uma pessoa que não é dona daquele espaço, mas ainda assim age como tal.

Ainda existem aqueles que só cobram uns trocados quando você volta, o que lhe dá a possibilidade de escolher entre pagar ou não (e na maioria da vezes, eles não merecem NADA além da indiferença), mas será uma espécie extinta em um futuro não muito distante à medida em que perceberem que a ameaça implícita é muito mais eficaz e lucrativa. É claro que até mesmo esta espécie animal também tem o seu grau de perigo no momento em que percebe que não receberá nada e você deve sair o mais rápido possível, pois pode se esperar qualquer reação deste animal selvagem. Lembrando que, a única pessoa a quem ele estará atento por estar perto do seu carro, será você mesmo (o dono do carro e do dinheiro) porque o ladrão que roubar o seu carro deve ser um amigo ou parente próximo, nem que seja na árvore genealógica da vagabundagem.

Certamente é difícil se opor a isso, mas a saída é aceitar? A melhor forma de manter essa situação é quando confirmamos com nosso dinheiro (e nosso conformismo) que essa tática , no mínimo desonesta, dá certo. Portanto meus queridos leitores e cidadãos, o que poderíamos quanto a isso? Aceitar?





Se existe algum assunto que deve ser tratado como se pisássemos em ovos é este, sobre religião, pois mais do que envolver algo que, hipoteticamente, estaria acima de nós, diz muito respeito aos nossos sentimentos e como são confusos esses assuntos sentimentais. Quando não se é considerado entediante por ser religioso demais, se é rejeitado por ser e admitir ser religioso de menos.

Parece-me que pensar sobre isso é uma das coisas que mais gosto de fazer, pois tantas são as perguntas e poucas são as certezas. Ao mesmo tempo, um mesmo fato, pode indicar muitas coisas diferentes. Porém, por mais que seja, realmente, algo que pode ter inúmeras interpretações, muitos veem nossas dúvidas como falta de fé. Não podemos admitir nossas dúvidas sem ser apontado, nem que seja por uma pessoa, como errado, como um perdido, como um infeliz.
As dúvidas a este respeito não nos faz menos humanos, menos sentimentais ou menos dignos. Mas o que nós temos, ao que me parece, é uma religião humana e não divina, uma religião matemática, onde questionamentos da veracidade sobre algo (que alguém em algum lugar escreveu) é inviável, tudo para que se mantenha a unidade religiosa.
No entanto, a certeza é muito mais segura do que a dúvida, uma dúvida que apenas se desdobrará em mais questões insolúveis, que não encontraremos a resposta exata dita ou escrita em lugar algum. Nos piores momentos da vida, em um desespero gritante, a dúvida sobre a existência de uma ajuda divina não vai ajudar, mas quem sabe aquela certeza religiosa? Por isso, os questionadores são os perdidos: a quem recorrer quando só se tem dúvidas e indefinições?
Porém, nas relações humanas, sempre se pode encontrar uma solução a mais para um problema e essa decisão vai depender de mais fatores do que unicamente a ideia de que se existirem dúvidas a respeito de uma religião, a decisão não pode ser outra a não ser a mais negativa.

Mesmo não estando na perfeita segurança da certeza (onde, na verdade, nunca se chegará) sempre se pode sentir algo grandioso quando estamos com alguém amamos, no tom amarelado do pôr-do-sol ou na nossa música favorita. Independentemente do que acreditamos, não acreditamos ou ainda temos dúvidas, podemos sentir que há algo maior nas coisas lindas e inexplicáveis da vida, cujos nomes são diversos para cada religião, ou mesmo para cada pessoa. A incerteza não nos torna perdidos ou errados, pois há nossa certeza inata, inserida nos sentimentos mais fortes, de que existe algo inexplicável e bom, mas que não necessariamente espera uma explicação e uma determinação, nem muito menos um desdobramento em regras. É apenas o que se sente involuntariamente, sem que ninguém te ordene a isso, é o que está a sua volta e dentro de você.

Confesso que minhas reflexões ainda não me levaram a um nome, a uma concretização visível e nem a uma descrição, mas saber que está lá e sentir (mesmo com as dúvidas ligadas ao conceito) já basta, ainda assim poderei ser plenamente feliz.

Meus queridos seguidores,

Dark Glass é um corpo soBre o qual exerço estímulos e espero respostAs. Refleti por um bReve momento que Dark Glass para mim são vocês e para vocês sou eu. Cada leitor que aprecia meu texto é um membro desse vidro negro que se transforma em um corpo cheio trocas recíprocas.
Quanto mais este ser se torna complexo, mais sinto a responsaBilidade que tenho sobre os meus estímulos e mAis anciosa e impaciente espero as Respostas.
Fico pensando: será que estou indo bem?
E uma Alegria transbordante vem quando um cacto (de vidro) negro, membro deste corpo, reage inesperadamente e me confessa que sim, estou indo bem e fazendo um bom trabalho. Gratificante sensação: o que eu gosto de escrever, vocês gostam de ler. Que esta troca continue.

Obrigada aos meus queridos braços, pernas, ombros, coração, pés...


Poesia é um conjunto de palavras que não fazem muito sentido na mesma frase e que se diz que é bonito pra não admitir que não se entendeu nada. Parece que a graça deles é não serem compreensíveis, selecionando a dedo os leitores com QI alto que inferiorizarão aqueles pobres ignorantes que não compreenderam. Sim, porque é admirável aquele que gosta de poesia e quase ninguém afirma não gostar ou não entender. Poesia é coisa de gente inteligente e de sangue azul, não para meros leitores amadores.

Eu entendo somente aquelas que estão mais mastigadas, mas as mais antigas e rebuscadas, me parecem bonitas exclusivamente pela sonoridade das palavras que se combinam em um ritmo muito bem planejado. Do mesmo modo que pessoas que gostam de músicas em uma língua que não aprendeu.

O mesmo se acha das músicas clássicas. Os que gostam (ou dizem gostar) de tal tipo de música, (geralmente) fazem questão de expor isso, impondo sua cultura refinada como um pavão abrindo seu leque de penas ao atrair uma fêmea. Dizem: "ah, eu sou diferente das outras pessoas, eu escuto música clássica.. e sabia que as crianças que ouvem esse tipo de música se desenvolvem melhor?". Ouvi isso de todos sem excessão. Pois aqui está o meu sincero "parabéns" por tão grande feito.

Não estou aqui dizendo que ambos os tipos de expressões são ruins, ou algo parecido. Eu utilizo a poesia nos meus textos e da mesma me servirei para compor minhas futuras campanhas publicitárias com suas frases de efeitos. Música clássica e sua inegável importância, sobre a qual nem preciso me estender tanto. Mas estes não são acessórios para exposição de superioridade intelectual. São expressões de sentimento que podem, perfeitamente, não serem compreendidos ou agradáveis a alguns ouvidos (ouvidos esses que seriam impiedosamente julgados pelos "cultos").

Desculpem-me pela minha ignorância, pelo meu QI insuficiente. Desculpem-me pelos meus erros de português e pelo meu falar arrastado. Desculpem-me se quadros de arte abstrata não fazem sentido para mim, se a pedra no meio do caminho é só uma pedra no meio do caminho e que poesias devem ser de fácil decodificação para que eu entenda. Desculpem-me por não fazer citações de filósofos famosos. Eu não preciso desse tipo de educação para ter algum potencial considerável.

Para ilustrar, colocarei aqui uma poesia que gostei muito (e entendi). Quem sabe assim eu seja melhor aceita em sociedade culta:



Poesia de Amor de Vinícius de Morais



Ternura


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçurados que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar estático da aurora.

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Olhe através dos seus vidros negros (preconceitos) e descubra novas verdades..

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